A adolescência é uma fase de intensas transformações, não apenas para os jovens, mas para toda a dinâmica familiar. É um período marcado por um afastamento natural da família, buscando a construção da própria identidade e autonomia.
É um momento em que os adolescentes se voltam mais para o mundo exterior e para as amizades. A necessidade de não serem mais vistos como “a criancinha” é forte, e a busca por essa nova identidade torna os amigos muito mais importantes. O adolescente não quer mais dar beijo na porta e alguns até querem que os pais parem mais longe para não serem levados na porta.
Essa fase de busca por autonomia é vivida de maneira desafiadora, e a família precisa se acostumar com a transformação rápida dos filhos, que se tornam um “novo ser”. O que antes era previsível pode variar; a criança que tinha “todo um jeito de ser” está completamente diferente, não só de aparência, mas de gosto e personalidade.
Um dos pontos cruciais na educação durante a adolescência é ajudar o jovem a construir a autoestima para que ele possa se posicionar frente aos outros. Para isso, é preciso tirar um pouco esse peso do grupo.
É comum que o adolescente se sinta pressionado a se encaixar. Se ele receber alguma crítica, é importante que a família o encoraje a pensar: “Fulano falou que eu sou assim. Mas você é?”. Se ele reconhece que é, tudo bem, ninguém é perfeito. Mas se ele não é, a família deve questionar: “Por que isso está sendo tão importante para você? É só a opinião dele?“. É fundamental entender que não é necessariamente porque o outro falou que isso tem que ser uma verdade.
Os pais precisam prestar atenção na questão da validação. Muitos filhos buscam a validação da família, seja na escolha de uma roupa que o pai e a mãe estão aprovando, ou em outras decisões. É essencial que os pais consigam, em um certo ponto, tirar isso. Se a camiseta escolhida é de uma cor que o pai ou a mãe não usariam, a mensagem deve ser: “Eu não usaria essa camiseta dessa cor, mas se você está gostando e se você quer usar, tudo bem, pode usar“. Isso permite que eles vão construindo essa autoestima.
O grande desafio, no entanto, é que a criança que se acostuma a ter a validação dos pais, mais tarde, precisa da validação dos amigos. E, como sabemos, às vezes isso não vem. Essa dependência de aprovação externa, que começa em casa, pode tornar a fase de integração social mais difícil, já que nem sempre o grupo de amigos fornecerá o apoio incondicional que a família dava.
Para os pais, esse momento exige muita paciência e a compreensão de que não se trata de um afastamento ruim, mas de um processo de diferenciação e crescimento. É a chance de criar uma base sólida de autonomia, respeito e conexão emocional.