A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no nosso dia a dia, desempenhando papéis importantes em diversos setores, incluindo a educação. Mas como podemos garantir o protagonismo humano em um contexto cada vez mais tecnológico? Para abordar essa questão, convidamos Erival, especialista em matemática e tecnologia educacional, e Dani Rosado, pedagoga e professora de educação socioemocional, para compartilharem suas experiências e perspectivas.
O Papel da Matemática na Era da Inteligência Artificial
Erival destacou que a matemática é essencial para o desenvolvimento da IA, já que seus algoritmos ajudam a interpretar e simular o comportamento humano. Além disso, a matemática contribui diretamente para o desenvolvimento cognitivo dos alunos, permitindo que eles entendam os processos de aprendizagem e identifiquem dificuldades que podem estar relacionadas ao lado emocional.
“A matemática, além de atuar nos algoritmos, ajuda o aluno a compreender os caminhos do aprendizado. Isso é essencial para que ele supere desafios cognitivos e também perceba as relações com seu lado emocional”, explica Erival.
Educação Socioemocional: Um Pilar Fundamental
Dani Rosado reforçou que, mais do que ensinar conteúdos, as escolas têm o papel de educar. Desenvolver habilidades como empatia, pensamento crítico e autorregulação emocional é indispensável para formar indivíduos completos.
“No Colégio, olhamos o aluno como um todo, considerando o contexto familiar e suas vivências. Trabalhamos habilidades socioemocionais não apenas em aulas específicas, mas em projetos sociais, atividades em grupo e no dia a dia escolar”, afirma Dani.
Ela também destacou a importância de espaços de escuta e expressão para ajudar os alunos a lidar com frustrações, algo essencial nos dias de hoje.
A Conexão Entre Matemática e Habilidades Socioemocionais
Um exemplo prático de como a matemática e as habilidades socioemocionais se conectam é o campeonato de robótica realizado no colégio. Segundo Erival, o evento exige que os alunos trabalhem em equipe, aprendam a ceder, definam papéis e desenvolvam empatia.
“Durante o campeonato, eles discutem quem será o líder, quem montará o robô e quem fará a programação. Isso desenvolve não apenas o raciocínio lógico, mas também habilidades como empatia e pensamento crítico”, relata.
Inteligência Artificial e Saúde Mental
Com a crescente presença da tecnologia, surgem desafios relacionados à saúde mental dos jovens. Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em parceria com o Instituto Ayrton Senna, mostra que competências socioemocionais têm impacto direto no desempenho acadêmico e no bem-estar psicológico.
A IA também pode ajudar a identificar e trabalhar essas questões, mas depende de um uso ético e consciente. Dani enfatiza que, além de ensinar conteúdos tecnológicos, as escolas precisam educar sobre o uso responsável das ferramentas digitais, promovendo reflexões sobre o tempo gasto online e os impactos emocionais disso.
Criatividade e Empatia: O Que a IA Não Pode Substituir
Apesar do avanço da IA, habilidades como criatividade, empatia e pensamento crítico permanecem exclusivamente humanos. Dani e Erival concordam que o diferencial dos humanos saberá usar a IA de forma estratégica, fazendo as perguntas certas para aproveitar todo o seu potencial.
“A IA potencializa nossa capacidade, mas cabe ao ser humano distinguir o que é útil e fazer as perguntas certas para obter os melhores resultados”, diz Erival.
Conclusão
O papel das escolas vai muito além de preparar os alunos para o mercado de trabalho. É necessário formar indivíduos emocionalmente preparados e conscientes para usar a tecnologia de maneira ética e produtiva. A combinação de competências técnicas, socioemocionais e a capacidade de usar a IA estrategicamente é o que garantirá o protagonismo humano em um futuro cada vez mais tecnológico.
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